Máscaras
Nunca estive em Veneza. Adorava! Há uma coisa que me faz lembrar instantâneamente aquela cidade: as máscaras que se vêem esporadicamente aqui ou ali. São exuberantes, requintadas, duma sofisticação admirável. "Italianices"!...
No dia a dia somos parecidos. Não que a vida seja um carnaval (pelo menos para a grande maioria...) mas antes porque temos as nossas próprias máscaras. Nesse aspecto, andar de metro é cada vez mais um ritual fascinante. É o típico local onde mais nos esforçamos por sermos vazios, neutros, inexpressivos: porque estamos cansados, porque o dia foi extenuante e queremos "desligar", porque desejamos alguma privacidade - mesmo que rodeados por este mundo e o outro, acotovelados e a fazer contorcionismo com as tralhas do dia-a-dia!
Ainda assim, se nos abstrairmos de todo esse bulício, continua a existir um ponto em comum com aquela cidade dos canais. Tal como as suas máscaras, há algo em nós que continua a deixar trespassar o que de mais íntimo nos assola. Não que tenhamos falhado nas artes dramáticas, pois nisso até conseguimos ser muito bons. Mas antes porque uma máscara de Veneza, mais não é do que a máscara de uma outra máscara - o rosto - que no entanto raramente oculta o que de mais verdadeiro existe em nós: os olhos.
Quantas vezes não explicam tudo? Aniquilam qualquer palavra? ...ou explicam gestos que não entendemos?... O povo costuma dizer que "são o espelho da alma!"...
Suspeito que tem razão...
ps: depois digam-me se uma viagem de metro não passou a ser um ritual mais curioso!... ;-)
No dia a dia somos parecidos. Não que a vida seja um carnaval (pelo menos para a grande maioria...) mas antes porque temos as nossas próprias máscaras. Nesse aspecto, andar de metro é cada vez mais um ritual fascinante. É o típico local onde mais nos esforçamos por sermos vazios, neutros, inexpressivos: porque estamos cansados, porque o dia foi extenuante e queremos "desligar", porque desejamos alguma privacidade - mesmo que rodeados por este mundo e o outro, acotovelados e a fazer contorcionismo com as tralhas do dia-a-dia!
Ainda assim, se nos abstrairmos de todo esse bulício, continua a existir um ponto em comum com aquela cidade dos canais. Tal como as suas máscaras, há algo em nós que continua a deixar trespassar o que de mais íntimo nos assola. Não que tenhamos falhado nas artes dramáticas, pois nisso até conseguimos ser muito bons. Mas antes porque uma máscara de Veneza, mais não é do que a máscara de uma outra máscara - o rosto - que no entanto raramente oculta o que de mais verdadeiro existe em nós: os olhos.
Quantas vezes não explicam tudo? Aniquilam qualquer palavra? ...ou explicam gestos que não entendemos?... O povo costuma dizer que "são o espelho da alma!"...
Suspeito que tem razão...
ps: depois digam-me se uma viagem de metro não passou a ser um ritual mais curioso!... ;-)
