sinto-me gelar na solidão dum barco que partiu e não vejo mais. sento-me no porto e olho. nele partiu muita da minha felicidade que apenas o tempo poderá trazer de novo.
tenho esperança de avistar ao longe os panos das velas que deixaram em terra tanta tristeza. ainda tenho nas mãos as cordas que o prendiam. como quem não acredita ainda que partiu... como quem acredita que ainda é possivel sonhar pelo seu regresso...
até lá desapareço. e gelo até ao fundo de mim mesmo. e guardo ainda incrédulo, dentro de mim, esse azul negro do mar que o levou...