segunda-feira, março 21, 2005

Passar a limpo

Em criança, quando começávamos a escrever, primeiro era o lápis: uma espécie de ensaio, de treino, para o definitivo que normalmente se lhe seguia. Depois, vinha a esferográfica. Tudo muito mais complicado, muito mais fácil para borrar e muito mais dificil de corrigir. Quando a coisa corria mesmo mal, lá vinha o ritual do "passar a limpo", até se ter prática.

Hoje em dia quase não escrevo a lápis. Diria mesmo que até a desenhar não é muito comum. A caneta tomou conta dos meus riscos, e apesar de sempre e cada vez mais definitiva, hoje os velhos receios não existem: risco e volto a escrever; risco e escrevo por cima; rasuro; corto; faço traços e emendo um pouco mais à frente. Deixei de ter medo de errar e cada traço, dentro ou não da sua ordem correcta, faz parte do todo.

No entanto, continuamos a passar a limpo. Não para fazer letras mais bonitas, ou pra escrever com menos rasuras, mas porque afinal esperamos sempre que as letras se ordenem numa história mais bonita ...e já agora, sem os erros da história anterior!

Deixei de ter medo de emendar: mas receio apenas que algum dia o papel não me dê a generosidade de o riscar...!